quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pré - Sal no Brasil e o Gestor, uma questão a se pensar.

“A fonte de energia mais importante e consumida no mundo globalizado, motivo de muitas guerras e disputas político / econômicas generalizadas, teve mais uma vitória nas Américas. O Pré Sal hoje na América do Sul, deixa o Brasil em evidência frente a este mercado milionário e cobiçado que nos cercam. Quais as vantagens e ameaças que virão com estas descobertas? Nós estaremos preparados para suportar este tipo de tensão?”

Antes de darmos início a esta discussão, é preciso refletir um pouco sobre o Petróleo.


A origem ainda é um mistério. Para a maioria dos geólogos e geoquímicos, é de aceitação que ele se forme a partir de substâncias orgânicas procedentes da superfície terrestre (detritos orgânicos), mas esta não é a única teoria sobre a sua formação. Outra hipótese, datada do século XIX, defende que o petróleo teve uma origem inorgânica, a partir dos depósitos de carbono que possivelmente foram formados com a formação da Terra.   

A moderna indústria petrolífera data de meados do século XIX. Em 1850, James Young, na Escócia, descobriu que o petróleo podia ser extraído do carvão e xisto betuminoso, e criou processos de refinação. O primeiro poço moderno foi perfurado em Bibiheybət (Bibi-Heybat), próximo a Baku, no Azerbaijão, no ano de 1846. O Azerbaijão foi o maior produtor de petróleo no século XIX e no final do século XIX sua produção era de mais da metade da produção mundial. O primeiro poço comercial da Romênia foi perfurado em 1857. O primeiro poço nas Américas foi perfurado no Canadá, em 1858. Em agosto de 1859 o norte-americano Edwin Laurentine Drake, perfurou o primeiro poço nos Estados Unidos para a procura do petróleo (a uma profundidade de 21 metros), no estado da Pensilvânia. O poço revelou-se produtor e a data passou a ser considerada pelos norte-americanos, a do nascimento da moderna indústria petrolífera. A produção de óleo cru nos Estados Unidos, de dois mil barris em 1859, aumentou para aproximadamente três milhões em 1863, e para dez milhões de barris em 1874.

A indústria prolífica no Brasil teve seu início com a primeira sondagem que foi realizada no município de Bofete no estado de São Paulo, entre 1892 e 1896, por iniciativa Eugênio Ferreira de Camargo. Foi responsável pela primeira perfuração, até à profundidade de 488 metros, que teve como resultado apenas água sulfurosa. Em 1932foi instalada a primeira refinaria de petróleo do país, a Refinaria Rio-grandense de Petróleo, em Uruguaiana, a qual utilizava petróleo importado do Chile, entre outros países. Foi somente no ano de 1939 que foi descoberto óleo em Lobato (Salvador), no estado da Bahia. Com a descoberta da província petrolífera denominada Pré-sal, que se estende ao longo de 800 km na costa brasileira, do estado do Espírito Santo ao de Santa Catarina, abaixo de espessa camada de sal e englobando as bacias sedimentares do Espírito Santo, de Campos e de Santos, a Petrobras tem importantes desafios pela frente. A análise das múltiplas especificidades dessa nova fronteira exploratória empenha-se em desenvolver soluções tecnológicas para produzir ali óleo e gás e faz testes para optar pelas melhores alternativas, já que inexistem padrões a serem seguidos.

É fato que, a mãe natureza anda meio revolta frente aos últimos acontecimentos, estes fatos nos levam a crer que ela esta tomando aquilo que lhes é de direito e que nós homens nos apoderamos ao longo de todos esses anos de extrações e escavações onde as conseqüências tendem a serem catastróficas. 

O Brasil por sua vez, poderá se transformar, futuramente, num dos maiores produtores e exportadores de petróleo e derivados do mundo. O Pré Sal esta causando um frisson no mundo globalizado, fato este, que as Organizações dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP, conceituada e muito bem relacionada no mundo inteiro convidou o Brasil para fazer parte deste seleto grupo. O Brasil teve seu primeiro grande feito com este convite, apesar de, só há alguns anos conseguiu a auto-suficiência em petróleo: ser comparado com os países que já carregam o título de grandes produtores de petróleo. Toda esta movimentação se deu com as estimativas de que o Brasil passará de 14,4 bilhões de barris de óleo para algo entre 70 bilhões e 107 bilhões de barris de óleo.

Para a Petrobras, As operações comerciais no local começarão em 2009,  o primeiro bloco de exploração do pré-sal que entrará em operação será o Parque das Baleias, na Bacia de Campos, no litoral do Espírito Santo. Um teste-piloto deverá ser feito na área em 2011, com a produção de 100 mil barris de óleo e gás.

O Pré Sal neste momento vale algo na casa de US$ 7 trilhões, isto com certeza colocará o Brasil em um patamar bastante elevado. Esta fonte de riqueza, ou ouro negro por assim dizer, se administrada corretamente fará com que o Brasil se iguale aos países desenvolvidos, fato este, que parecia muito distante há alguns anos atrás.  

Segundo o Governo Federal, a prioridade dos investimentos oriundos da exploração do Pré Sal, será a Educação. A demanda por pesquisa tecnológica necessária foi quem propiciou a educação largar na frente de outras áreas que também serão beneficiadas. Neste momento de euforia de todos inclusive nós brasileiros, é comum fazermos muitas promessas dentre elas as de muitas melhorias para nosso país, isto é fato, realmente o Brasil ganhará muito com esta descoberta quem sabe poderemos diminuir o sofrimento dos menos favorecidos, não digo erradicar a pobreza, por que é um termo muito forte e como capitalistas que somos, terá sempre alguém menos comprometido com as mazelas da humanidade. Mas do que nunca o Governo Federal terá um papel de suma importância na fiscalização destes investimentos, e que o povo brasileiro possa sim se beneficiar destes acontecimentos da melhor forma possível.

Por ser um combustível fóssil, o petróleo já contribuiu e muito para a degradação do planeta terra, alguns eventos que costumamos ver apenas na Tv quando relacionados aos impactos ambientais, poderão ser identificados aqui bem perto de nós, como: Terremotos, maremotos e muitas outras catástrofes ocasionadas pela exploração despreocupada da terra. Fatalmente o Brasil irá se tornar uma potência petrolífera e econômica, mas há que preço? Podemos nos tornar uma das maiores potências do aquecimento global.  Para o Ministério do Meio Ambiente, 90% do consumo no setor de transportes advém do petróleo e seus derivados. No Brasil, esta parcela representa quase toda a demanda energética. O país possui aproximadamente 29 bacias sedimentares (pela deposição (sedimentação) das partículas originadas pela erosão de outras rochas (conhecidas como rochas sedimentares clásticas);pela precipitação de substâncias em solução;pela deposição dos materiais de origem biogênica (de materiais produzidos pelos seres vivos, quer de origem química ou detrítica), observados nestas reservas petrolíferas, 90% estão no mar. Correndo por fora mais com o mesmo empenho tecnológico, é preciso criar políticas que possam conciliar a exploração e produção de petróleo com a conservação ambiental. Instrumentos de controle ambiental específicos precisam ser melhor avaliados e até mesmo reestruturados para que seja possível a prevenção e / ou minimização de possíveis danos ao meio ambiente decorrentes da atividade. Os impactos ambientais decorrentes desta prática exploratória, já são conhecidos pela população. Os mais conhecidos são: vazamentos em navios petroleiros e terminais de petróleo, que provocam a contaminação e degradação ambiental de mares e praias. Impactando diretamente na fauna e flora.

Outro sim, os impactos ambientais estão ligados à esta atividade industrial, podendo provocar: alterações da qualidade da água e contaminação de sedimentos marítimos, (A superfície do fundo do mar poderia ser a solução para o excesso de dióxido de carbono (CO2), um dos principais fatores que levam ao aquecimento global, segundo estudo publicado pela revista "Proceedings of the National Academy of Sciences". Os Estados Unidos, considerados um dos principais poluentes atmosféricos do mundo, contam com uma enorme quantidade desses sedimentos.

Cientistas do Instituto Tecnológico de Massachusetts e da Universidade de Harvard apontaram que os sedimentos do fundo do mar poderiam abrigar, aparentemente sem limites, esse gás produzido pela queima de combustíveis fósseis. Segundo Daniel Schrag, professor de Ciências Planetárias e da Terra da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Harvard, atender à demanda de energia sem afetar o clima do planeta se transformou no grande desafio econômico da atualidade.), interferência com rotas de migração e período reprodutivo de cetáceos, (Mamíferos marinhos de grande porte, Ex.: Baleias), quelônios, (répteis marinhos como a tartaruga), sirênios (Mamíferos marinhos herbívoros como o peixe boi), e grandes pelágicos (este se enquadra em quase toda a vida marinha); interferência em áreas de corais, manguezais e na atividade pesqueira artesanal ou de sub-existência. A perfuração marítima pode ocasionar impactos relacionados a efeitos destrutivos de líquidos ou gases decorrentes da perfuração, deposição de cascalho no fundo do mar, principalmente em áreas de corais, além de vazamentos de óleo. Na fase de produção marítima podem ocorrer vários problemas de ordem social, ambiental, política e econômica acarretando mudanças na estrutura organizacional da sociedade regida pelo aquecimento da economia provocado pela indústria do petróleo.


Faça a sua reflexão a respeito para saber se estaremos preparados para administrar as benfeitorias e as malevolências desta prática industrial. Juntos poderemos se não resolver alguns problemas de ordem social, mas, quem sabe mostrar que estamos atentos aos acontecimentos que impactarão direto ou indiretamente em nossas vidas.

 Por,

Cléverson Estevam

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